18/12/2011
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Tempos atrás...
Havia um tempo que eu era criança, inútil , brincadeiras a todo momento, sem se importar com a responsabilidade, sentindo todos os medos possíveis, … que eu havia pensar da vida. Importar com a faísca do isqueiro, a grama de um quintal, a madeira irregular de um móvel ou até mesmo de uma árvore. Tempos que não se contava as horas, que tinha o relógio da vida parado, como se existisse somente, o agora. Soltar pipa, olhar o céu, reparar nas formas das nuvens, olhá-las por dentro, dar a elas nomes e transformar em coisas ou em algo derivado de nossa imaginação. Reparar nas ondas das praias, olhar as formigas a trabalhar, viver nas nuvens, temer à noite, ler as madrugadas, viajar com o fechar dos olhos, olhar as lagartixas à procurar o que fazer, época em que o relógio só nos servia para escutar o barulho que este fazia ao lado do silêncio da noite, ver filmes, imaginar o mundo mágico, que criei e achei que este fosse o real, olhar o sol, contemplar as estrelas, não hesitar, ver as cores, fechar os olhos e dormir, dormir num mundo preto e branco, sem cores da vida, mas acordar e ver o colorido. Meu mundo assim se fez, se revelou aos meus olhos, porém cresci, e aquilo que era tão significativo se perdeu, hoje já não faço nada disso, hoje as nuvens me olham somente.
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