sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A estrada...

    Numa noite fechei meus olhos, parecia estar eu a sonhar, era uma noite escura, onde não se ouvia muita coisa, a não ser os seres noturnos que fazem da noite o seu dia, era um lugar deserto, coberto de muitas árvores, mato, enfim parecia eu estar num local não muito habitado por pessoas que convivem nas metrópoles e grandes cidades, o mais espantoso para mim era que por detrás da neblina que cobria a noite estava uma casa de aparência bem pobre e grotesca, eu podia ver o quão longe estava aquela casa, e o quanto era grande a enorme estrada em que eu precisava percorrer para poder chegar naquela casa, que até então me parecia tão misteriosa. Mal eu mesmo sabia o porque de estar naquele lugar, e muito menos o sentido de estar aquela casa situada ali, naquele lugar...
    Havia eu decidido ir em direção da casa, sem saber o porque de estar fazendo tal coisa, e me pus a percorrer aquela longa estrada, no enorme caminho me veio lembranças de minha vida, minha infância, foi a primeira coisa que me lembrei, algo simples, que pelo fato de ser simples não diminui o valor das coisas, para mim difícil mesmo era simplificar, pois no mundo em que eu vivo tudo se mantem complicado.
    Minha vida como era tão boa, eu não sabia disso, pensei. Fatos de minha infância que não voltará mais, as noites jogando bola, os dias sem mesmo se quer almoçar, me divertia sem mesmo pensar no que eu seria no futuro, afinal não sabia o que era isso, e muito menos se era importante.
        Ao me lembrar dos fatos, me recordei também dos amores da minha adolescência dos dias que eu conhecia uma pessoa e buscava em seu interior o espelho que refletiria uma imagem que eu queria ver, embora eu estivesse olhando de olhos fechados.
    Lembrei-me da felicidade, algo que foi um dia presente em minha vida, e que talvez agora estivesse em extinção.
    Recordei também das amizades, eram sempre verdadeiras, na verdade eu sabia muito bem escolher todas elas, separar o que é bom do ruim, sabia o que era ou não necessário.
    Depois de ter andado muito naquela estrada, perceber que ela não tinha um fim, e ver que a tal casa estava cada vez mais distante, ouve um momento que pude pensar, eu estava muito distante da felicidade agora, e o que havia vivido era simplesmente sonhos...
    Cada um teria por si só a sua estrada, a percorrer em busca de algo que a primeira vista seria bom, mas desperdiçar o tempo é o maior pecado que se comete...
    No outro dia sonhei...
    Sonhei que estava acordado.

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