segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Porta-retrato...

O que será que serei pra você, um caderno em sua mesa, uma caneta tinteiro guardada na estante do seu quarto ou de sua sala, uma peça de roupa guardada em seu armário que embora você goste muito ela não se adeque mais ao seu corpo...
 De todas as coisas que procuro pra expressar o que eu seria pra você seria um porta retrato, destes que ficam na estante, parado, olhando para nós, querendo nossa atenção, e de todas as formas estamos muito ocupados para olhar para eles. E assim eu me vejo, um porta retrato que somente é olhado quando temos um tempo livre, vago, carregando uma foto, uma lembrança, de algo bom que já foi e somente pode ser lembrado. E quando estamos com saudade olhamos pra ele, olhamos para a foto, para a lembrança, e ali ficamos numa espécie de momento de reflexão, e mesmo assim sabemos que hoje a vida tão corrida como ela é nos dá apenas a oportunidade de olhar poucos minutos para ele, e que embora ali esteja algo importante e sentimental, logo voltaremos para a vida deixando-o no lugar onde ele está, numa estante, num móvel... Este porta retrato esboça um sentimento de saudade, de solidão, retratando a vida, porque nem só de amor vive o homem...

Kelvin Oliveira
07/10/2013

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Olhando pra gente... [texto dedicado a Leidjane Lima]

Sento e vejo um céu estrelado, bonito, negro, com estrelas estampadas ou pregadas como se dissessem que estamos aqui a vos iluminar, conversem, se entendam.
Olhamos eu a você e você a mim, estamos aqui sob holofotes estrelares sem ter o que dizer ao outro ou somente rir, admirar as curvas do seu rosto iluminado, parece que o universo nos assiste, nos filma, sim, parecemos grandes astros do cinema, mudo por sinal, em preto e branco como sempre gostei de ver as coisas, entre nós não é necessário cor, só luz, brilho, tons de preto ou cinza como um desenho à lápis sobre papel branco. Nos deitamos e passamos a olhar as estrelas, tornamos expectadores de nossa própria novela e deixamos o céu como o ator principal de nossa história, céu tão negro e bonito que se mostra nu diante de nós, parece que somos embalados por um novo mundo. Bem, creio que seja verdade, o céu é um novo mundo e quando olhamos acima de nós temos cada vez mais certeza que ele nos filma e  é quem narra tudo o que fazemos debaixo dele, assim mesmo, como servos.
Então chega o momento que nos beijamos e se parece verdade ou mentira é como se o céu nos raptasse, e levasse pra perto dele nós dois, como dois pássaros levantando seu voo sem quaisquer motivos ou razões além do mais natural e belo instinto natural, ser feliz é voar...

Kelvin Oliveira
05/09/2013

Gritos de vitória...

Há uma vida para se viver, um amor para compartilhar, um grito de felicidade para soltar pela garganta a fora. Esse é o momento mais intrigante da vida, o momento da vitória, aquela que deve ser comemorada em vários tons, em vários modos, de diversas maneiras, num grito, numa música boa, num poema reflexivo. Já parei pra pensar, e aprendemos a comemorar no primeiro momento de vida, sabemos esperar nove meses para nascer, outros menos, e mostramos a paciência que a vida nos ensina, e de repente, numa forma espetacular, num momento quase que mágico nascemos, nascemos berrando, num grito de alívio, num sopro instantâneo da vitória conquistada, assim entramos na vida dispostos a vencer de todas as formas. A maior doença do ser humano é desistir, não existe força capaz de deter aquele que não desiste, e assim se faz os meus textos, não desisto de escrevê-los, nem deixarei, eles são como um grito de um recém nascido, um símbolo de vitória, e agora tudo recomeça...

Kelvin Oliveira
28/03/2013

sábado, 14 de setembro de 2013

A música...

Ouço em bom tom, tão formidável que me invade, da forma que enche meus ouvidos e me traz a felicidade, tão simples, singelo som, que me eleva a sensação rara, tantas vezes rara de me sentir alegre e surtar, dos meus ouvidos de vez para a imaginação, fazendo deste momento um momento único, talvez formidável e incrível, me faça ficar feliz ó Deusa da música que faz os bêbados acreditarem que embriagados estão felizes, sim, felizes...

28/02/2013
Kelvin Oliveira

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Que triste fim, triste fim...

Tenho ficado atordoado, sim, bem atordoado.
Estes dias uma imagem me chocou, eu vi quando saía de casa os gatos de minha vó numa grade, eu não sabia de fato do que se tratava, mas sabia claro que se tratava de algo ruim, eles já enfrentavam uma doença que estavam lhes corroendo mas foi chocante para mim ver que esses animais estavam indo para o sacrifício, visto que a doença que os afetavam não havia mais possibilidade de cura. E ali, vi minha vó chorando se despedir do gato que ela mais gostava, o Ramiro Tavares, com palavras do tipo "me desculpa". E ali eu nunca vi e nem tinha visto em toda a minha vida a força que tinham essas palavras, nunca havia escutado ninguém pronunciar palavras tão tristes e ao mesmo tempo tão sinceras.
Sim, eles se foram, diferente das novelas que tem um final feliz, talvez o fim do sofrimento deles seja o final feliz que acreditamos, e para mim foi o final ou desfecho mais triste presenciado. Um triste fim. Confesso que ainda estou impressionado, e que talvez eu carregue esta imagem para toda a minha vida, a imagem de ver aquilo que se vai, e ainda mais cedo do que se espera.
E aí vemos ou pelo menos eu vi, que a vida é tão mais simples e mais frágil do que nós imaginamos. Os gatos, não eram meus, mas causaram em mim grande sensibilidade, hoje, passo todos os dias em frente a casa de minha vó, e não os vejo, nem o veremos, mas eles serão para sempre lembrados, aqui escritos, como seres imortais que não fizeram mal algum a alguém, mas que trazem em si a derrota de todos nós, na vida não há vencedor a não ser a morte, e ela ri sempre por último. Não os verei mais, mas a ausência será constante...
Em memória de Ramiro Tavares e os outros...

Kelvin Oliveira
 
15/08/2013

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Que direi eu?

Que direi eu, dos dias que ainda me vem, das tardes de sol, das noites de lua, dos dias, chatos, sem graça, ensolarados, vivos, e aqui estou perdido a pensar, que farei e o que me estará reservado para dias próximos que muito os espero confiando a Deus a esperança. Dias de fartura, de dinheiro ou de felicidade, de festas e álcool, de noites pensativas, ou ao lado da mulher que amo ouvindo poucos e bons sons, sorrindo de nossa sorte. Que direi do futuro, que direi do presente, que mal sei o que me acontece, só sei que escrevo, para registrar minha visão tão obscura da realidade futura.


Kelvin Oliveira
28/02/2013

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Amor monótono

Já passaram-se anos, e pensamos em algumas coisas que ouvimos sobre as monotonias dos relacionamentos, e hoje me vejo a pensar e ouvir uma música que faz meu coração encher de sentimento, e sinto como se fosse a nossa primeira briga nesse momento, não sei explicar,  é que neste mundo existem coisas que eu não sei dizer, a monotonia existe porque achamos que temos um ao outro a todo momento, mas hoje ao nos desentendermos sinto como se namorássemos ontem, o sentimento renasce com o medo de perder a quem amamos e nem sequer sentimos porque este sentimento é como uma raiz entranhada no peito, e nem sequer nos damos conta. Eu te amo e de fato não sei, porque perder é como não ter mais a sensação de monotonia do amor que existe entre nós, e é isso, a perda mostra o quanto nos faz falta tudo aquilo que vivemos, porque até as mesmas coisas que fazemos e fizemos tantos anos, me fará falta, porque ter você comigo a monotonia é diferente, até a monotonia se torna especial como és, e assim o amor será monótono e único...



Kelvin Oliveira
05/10/2012

sábado, 18 de maio de 2013

Sem palavras


As páginas estão todas aqui, e nelas há um breve desespero de não saber o que escrever, nem palavras, nem letras, são somente espaços vazios de uma página de uma vida monótona, como um carro que acelera e não vai a lugar algum. E onde foi eleita a direção para qual devemos ir, onde a velocidade não interfere quando a direção é sem fim...


Kelvin Oliveira
14/09/2012

sábado, 11 de maio de 2013

Inquietação


Desculpe-me, mas já não posso deixar de escrever, porque este papel tornou-se parte da minha intimidade, ele me olha o tempo todo, é como se fossemos parte um do outro, parentes ou cônjuges que se unem através de palavras dispersas sem fim por um sentimento de expulsão, que vem de dentro da alma, palavras sofredoras, tristonhas, felizes, alegres, tantas sem fim ou objetivo.
Já posso ver o despertar das palavras que foram arremessadas de dentro do meu peito como se a cada batida uma palavra fosse posta para fora. Sinto-me inquieto, e é um momento que preciso descrever com clareza o que sinto, uma preocupação, uma aflição, de ser o que ainda nem mesmo eu descobri, mas que ainda aqui dentro de mim repulsa.


Kelvin Oliveira
14/09/2012

terça-feira, 30 de abril de 2013

Desleixe-se

Beba mais um gole desta vida pacata, se embriague de monotonia, tome um porre daqueles de juízo, faça tudo corretamente certo, e um dia verá que acordou bêbado de tristeza, sem emoções, a mercê do tédio sem limites, esperando o amanhã, sem nada a mais pra fazer...
Jogue-se de cabeça em um mundo somente seu, escute sua música, grite, cante, dance, xingue, curta cada momento, perca o juízo mesmo que por minutos, faça algo sem medo de errar, sinta a felicidade chegar, desperdice um pouco de tempo contando uma piada sem graça, e além, não seja compreendido. A felicidade só chega para aqueles que não a compreendem...



Kelvin Oliveira
31/08/2012

terça-feira, 23 de abril de 2013

A arte...

Dentro de mim corre um sangue como tinta, a arte é algo inevitável pra mim, está sempre comigo, assim como diria Saramago, eu sou uma espécie de artista hormonal, da mesma forma como crescem os pelos, a barba, quer eu queira ou não, dentro de mim existe um hormônio artístico que faz de mim um artista, querendo ou não... E pra mim é fácil de ser notado, um artista sente as coisas, eu sinto a arte em mim...
Da mesma forma, a arte se revela em tudo o que faço, sou um artista desenhando, sou um artista pintando, sou um artista jogando xadrez, sou um artista lendo, sou um artista interpretando, um artista pensando, tentando filosofar sobre a vida, de qualquer modo, não posso deixar de o ser, mesmo que eu escolha outras profissões pra exercer nesta vida, a arte se pronunciará em todas elas, ainda que eu não seja nada diante de todas as funções dos homens, serei como Van Gogh, incompreendido, mas ainda sim, serei um artista, reconhecido ou não, isso é só um detalhe, já não é esta tarefa que me cabe, reconhecer e ser reconhecido, me resta sentir a arte, que pulsa, que bate, como um pêndulo de um relógio, sublime e eficaz, a arte se faz aqui, não no corpo, mas sim nesta alma, pequena, e simples, de um nobre artista...

Kelvin Oliveira
23/04/2013

Vida, não jogo...


A noite parece ser tenebrosa, mas eu sei que ela não é eterna, pois logo virá o sol para nos dar uma nova chance, é como um livro que estamos a escrever, terminamos uma página, mas sabemos que logo virá outra página em branco para que possamos deitar a caneta sobre o papel e escrever ou traçar uma nova forma de vida. Os dias são assim, imprevisíveis de uma tal forma que nos machuca o presente ao pensarmos no futuro. Dias ensolarados, dias chuvosos, são diferentes, modificados, únicos, que transformam nossa vida num jogo, um jogo onde não se é possível ganhar ou perder, nem buscar a vitória, pois a vida que se joga perde o que tem para viver. E aqui não há muito o que perder ou ganhar, um dia ganha-se, noutro perde-se, e é assim, desta forma incalculável e imprevisível.


Kelvin Oliveira
31/08/2012

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Quem somos...

Todas as noites paro e fico a pensar, em reflexão, sozinho, quem sou eu, e me surpreendo numa pergunta tão simples e pequena, com significados grandes, quem sou eu, o que escreve, o que desenha, este que sonha. Será que serei eu mesmo, ou uma soma de tantos exemplos que me admirei e que peguei pra mim algumas qualidades com o objetivo de transformar minha personalidade.
Esta é uma pergunta que me intriga, que me põe a pensar, pensar e pensar, e não ter uma conclusão. Não sei o que sou, somente o que faço, o que vivo, o que sinto, algumas coisas que quero fazer...
Da mesma forma que me questiono, faço com que reflita, quem é você, não é o seu nome, mas quem é esta alma, que habita um corpo, que pensa, que reflete, que sente. A vida resumida é isso, uma busca pela descoberta, de quem somos, quem seremos, o que faremos, onde habitaremos, e novamente quem somos...

Kelvin Oliveira
18/04/2013